O GLOBO
Rio, 02 de outubro de 2005
Shows de música eletrônica regem a noite carioca
Adriana Castelo Branco
É show, set de DJs ou espetáculo? Definir live
P.A. — sigla que, em inglês, significa power amplification ou public
appearance — é tarefa complicada. A idéia, porém, é bastante
simples: pegue uma base com batida eletrônica, acrescente
instrumentos e vocais (ambos ao vivo) e, voilà !, eis um live P.A. .
Deu para entender? Resumindo, live P.A. é uma espécie de performance
em que as
músicas são criadas ao vivo na pista por DJs, VJs ou músicos.
As apresentações caíram definitivamente no gosto dos notívagos
cariocas, que vêm lotando casas onde elas acontecem — Fosfobox
(clube que, em outubro, está fechado para obras), Saturnino, 00 e
Dama de Ferro estão na lista. Segundo seus produtores, a grande
bossa do movimento é a improvisação.
— O live P.A. é um estilo livre que se apropria de várias vertentes
musicais. Nenhum show é igual ao outro e é por isso que o público
gosta — define o músico Pedro Bernardes, que usa o codinome Wladimir
Gasper em suas apresentações.
O DJ Levy Gasparian, que há dois meses se apresenta na varanda do
bar Saturnino, no Jardim Botânico, conta como prepara o seu show:
— Uso uma base já existente e, na hora, junto sons que produzo em
teclados, minha voz e uma percussão. O público fica curioso para
saber se é ao vivo mesmo.
É justamente a animação do público que define o tempo de duração das
músicas. — A reação da platéia é o que move músicos, cantores, VJs e
DJs nas apresentações, que misturam ainda projeção de imagens, vozes
distorcidas e, às vezes, até coreografias — diz Adriana Lima,
dona do clube Dama de Ferro.
Idealizada pelo produtor Dudu Llerena, em parceria
com o VJ Jodele Larcher, a noite mensal de live
P.A. do clube reúne os grupos XXX!,
Ouvintes, Gerador Zero, Voz del
Fuego e az0ia lab, além de produtores de
música eletrônica convidados de outras cidades do Brasil.
A próxima Live Tonite, como a tal noite foi
batizada, acontece no dia 27 de outubro, mas o projeto vai até o fim
do verão.
— A idéia não é simplesmente apertar a tecla play ou sair mixando,
mas fazer tudo na hora. Enquanto a turma estiver disposta a dançar,
a música continua — acrescenta Adriana Lima.
No 00, a noite de live P.A. é comandada pelos músicos Davi Moraes e
Plínio Profeta (também DJ e produtor), que misturam samba, funk,
salsa e black music. Enquanto Plínio cuida das bases das canções e
toca baixo, cavaquinho e teclado, Moraes canta e toca guitarra.
— Podemos usar uma base de Michael Jackson, por exemplo, e jogar MPB
em cima. Como a batida de fundo é eletrônica, o resultado é um show
superdançante. O live P.A. faz sucesso porque o público vê o cara
improvisando na pista — explica Profeta, que já começou a produzir
um CD com as músicas que cria no 00.
O empresário Cabbet Araujo, que promove as noites Si’mbora
em seu clube, o Fosfobox, acredita que live P.A. de MPB é sucesso
garantido. Os responsáveis pela performance — o músico e DJ
Donatinho (filho de João Donato), o percussionista Junior Teixeira e
o VJ Jodele Larcher — usam uma base eletrônica
resgatada de sambas dos anos 60 e funks dos anos 70. Donatinho diz
que o live P.A. é uma maneira de os músicos se inserirem no mercado
da música eletrônica.
— Antigamente, quem animava as festas eram as bandas, depois vieram
os DJs e isso começou a tirar o trabalho dos músicos. Agora estamos
voltando com um novo formato — diz Donatinho.
O produtor Daniel Di Salvo, um dos sócios da gravadora e agência de
DJs Segundo Mundo, já está agenciando quatro live P.A.s: Nego
Moçambique, Zémaria, Drumagick e Jamanta Crew. Aqui e lá fora.
— O Zémaria acabou de chegar de uma turnê de um mês na Europa e o
Jamanta Crew está tocando em Londres — conta.
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Com menos de 30 dias, o
XXX! já faz muito barulho na cena carioca.
:::
Como e quando começou a banda?
Jenner >
O XXX! surgiu na madrugada do dia 11.06, (portanto há menos de 30
dias !!!) quando resolvi
sair do John Merrick
Experience (www.jmx.com.br
) após 11 anos. Eu queria trabalhar com novos
talentos, queria abrir
mão de ser cabeça de uma banda para tornar-me apenas mais um, tinha um
show
agendado em menos de 15
dias, então chamei "as meninas": Tatiana (baterista do
Café Brigitte),
Louise (vocalista
e guitarrista do Superego) e Bela (vocalista e guitarrista
do Th-The Superstoners
onde tocávamos juntos).
Tatiana >
Posso dizer que foi da forma mais espontânea possível. Comentei que
adoraria fazer algo que fosse completamente oposto ao que faço no
Café Brigitte. Queria experimentar algo mais sintético
e o J me convocou pro Lado Negro da Força.
:::
Quais são as principais influências?
Tatiana
> Barulho de metrô.
Bela >
The Future Sound of Sonic Youth ?
J >
Garotas "pimpando" !
Afrika Bambataa, filmes Blaxploitation,Television,
Mantronix, Blondie, Korgis,
Mc Punjabi e acima de tudo
Syd Barrett
::: Qual
o motivo do nome XXX! ?
Bela >
A idéia foi da Louise, queríamos um nome que anulasse a idéia de
ter um nome, então somos três garotas X e o J de
exclamação – acho que foi isso.
::: Como
você definiria o som do XXX! ?
J >
O som é
assim, as meninas tem suas bandas e pouco tempo para ensaios, então
ensinei sobre softwares de produção de áudio pra elas (por MSN) e elas
vão pingando diariamente seus maravilhosos arquivos em minha caixa de
e-mail, ainda por MSN trocamos uma idéia sobre o rumo da canção e eu que
tenho um estúdio em casa, faço toda a montagem.
Louise >
Eletrônico-experimental
::: Vocês foram convidados para participar da
coletânea do Marcelo Castellani. Como rolou o convite, qual será a
música, quando sai, etc?
J >
O Marcelo
Castellani ouviu o som na Tramavirtual e
gostou da música "Nine Reasons ". Aí nos chamou para
fazer parte da coletânea Quieto que deve sair até o final do ano.
::: Fale
da música Nine Reasons, e conte um pouco da história dela.
Tatiana >
O J
escreveu a letra para a Aline de Brasília que conheceu
o XXX! pelo Tramavirtual.
J >
O mundo da música é cheio de lendas, alguém lá em cima
sabe o quanto odeio isso, mas de fato o que direi a seguir aconteceu.
Ficamos surpresos com a repercussão de Pimpin the Pop e
de ter ficado em destaque por mais de uma semana na página principal do
Tramavirtual recebemos algumas mensagens de e-mail,
entre elas de uma adorável garota de Brasília (Aline
apelido Nine), tomei a iniciativa de estreitar contato
com ela e em menos de 3 dias algo trágico aconteceu a ela – Nine Reasons
é um pedido para que ela siga adiante, apesar de tudo, seja forte quando
a razão está longe e encontre vida onde existe o nada. Nem íamos
divulgar essa música, ela nos pediu que fizessemos – o que está online é
a primeira versão (incompleta) gravada totalmente por P2P (troca de
arquivos).
:::
Vocês fazem parte do Efeito Coletivo. Fale um pouco do coletivo, sobre
como é fazer parte dele, etc.
J >
O Efeito Coletivo que reúne
Gerador Zero, 8bit rock,
Ouvintes, Voz Del Fuego, Flu e XXX!
foi
criado em Setembro de 2004 penso que para dar visibilidade era preciso
unir forças de fato, pactuado, com metas, objetivos, divisão de
tarefas... Onde somados nos fazemos independentes em tudo que se
relaciona a produção de um show, dividimos contatos, somamos
experiências, criamos debates, fazemos remixes, mantemos nossos
programas de web-rádio, oferecemos suporte técnico um ao outro, fazemos
intercâmbio de arquivos pela internet - e assim, todos avançam. Em menos
de um ano conseguimos disseminar nosso trabalho como nunca. Criamos
contatos com bandas e trabalhos de outros estados, onde desenvolvemos
novas parcerias. Estivemos a frente por 15 semanas de um programa de
rádio na extinta Rádio Viva Rio. O mais interessante foi que ao longo
desse curto espaço de tempo criamos respeito, admiração e uma profunda
amizade (não nos conhecíamos pessoalmente se quer antes da formação do
Efeito Coletivo ). Sem falar de uma saudável competição que faz cada um
de nós alargar mais e mais nossa criatividade.
::: A banda pretende lançar disco esse ano?
Tatiana >
Tudo sobre
ao XXX! parece ter velocidade própria, estamos surpresas com
tudo, já há uma possibilidade de lançar algo até o fim do ano, mas vamos
dizer que: o XXX! pretende lançar um disco assim que for
convidado, ok ?
::: E o
futuro? O que podemos esperar do XXX! para 2005?
J >
O futuro ? NO FUTURE dizia John Lydon (vocalista do Sex
Pistols). Não espero. Vou fazendo, sem ambição, mas sem perder as
oportunidades, se é tão difícil ganhar dinheiro com música preferimos a
possibilidade de criar com 100% de independência e os novos meios
possibilitam várias coisas, quem sabe distraído dá samba