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O GLOBO - RIO
FANZINE Rio de Janeiro, 17 de Fevereiro de
2006.
NA
CIDADE
QUINTA 23/02
Live Tonite ! no Dama de Ferro com live pa: Simbora, John Merrick
Experience, Gerador Zero e Voz del Fuego,
live
vj: aZoia Lab e dj Spark.
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Entrevista para o site
TRANZINE!!! INC.
Edição 14. (08.fev.2006)

para Jenner
do John Merrick Experience |
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- Qual seu apelido e por quê?
"J" - Porque tenho um masterplan de ser
lo-profile a nível atômico, na verdade J já soa um exagero pra
mim. Preferia algo sem som.
- Que horas vc costuma acordar todo dia?
Em torno de 4-5 horas depois de ir
dormir, algo que pode acontecer sempre após as 3h da madrugada e
não raro após as 9:00h da manhã.
- Qual foi o melhor lugar pra onde vc já
viajou?
A melhor viagem é aquela dentro do
infindável universo interior, as vezes vou lá e raramente volto.
- Qual jornal vc lê e com que freqüência?
Tenho um manifesto pessoal de extinguir todo o
tipo de mídia em papel e plástico - leio jornais do mundo
inteiro online o tempo todo, todos os dias.
- Quais os melhores 5 filmes que vc já
assistiu?
Muitos, nenhum - me interesso pouco
por cinema nos últimos 10 anos... seqüelas de ter trabalhado em
locadora de video (com perfil de filme de arte). Assisto a tudo
- talvez as pessoas pensem que por conta do meu trabalho
chamar-se JOHN MERRICK EXPERIENCE inspirado no personagem do
filme David Lynch do filme Elephant Man (O Homem Elefante) esse
seja um filme de destaque para mim, na verdade é sim, mas não
poria entre os meus 5 favoritos - a história real do John
Merrick é também uma bela analogia da condição de quem busca a
arte e é obrigado a viver sob o julgamento das pessoas. Gosto
muito de
Boccaccio 70, Annie Hall, Hi Mom!
(Robert De Niro),
Man Bites Dog, clássicos
de
Blaxploitation
(tenho
uma mini-coleção)... a lista é longa - essas são lembranças
imediatas.
- Quais são suas cores preferidas?
Azul, Cinza, Preto e Branco - todas
as outras cores são desnecessárias.
- Você faz a linha gastador ou pão duro?
Faço a linha
sou duro,
mas tenho meus masterplans e sempre realizo-os.
- Você canta no chuveiro?
Eu toco air-vst e air-mpc no chuveiro
- Qual foi seu primeiro emprego?
Meu primeiro mesmo foi de chantagista e mentiroso
até os 11 anos. Eu era tão bom que me profissionalizei, mas
pendurei a chuteira - era mais estressante que trabalhar em
mercado financeiro (um de meus últimos empregos).
- Qual foi a coisa mais extravagante que vc
já comprou?
Eu tenho um magnetismo por
extravagâncias e acredite, já fiz muitas - a maioria delas
indizíveis numa entrevista, mas vou dizer uma coisa que quase
comprei e me arrependo até hoje - um Porsche 1986 modelo 944 que
tinha uma documentação siberiana (de tão fria) e estava
baratíssimo, cheguei a passar 3 dias com o carro. Com os preços
que andam os guardinhas hoje... deveria ter comprado.
- Qual o seu sonho de consumo?
Para cima não há limite, certa vez vi um sistema
de caixas de som que custam 1 milhão dolares - o anunciante
recomenda só usar em estudios subterrâneos para não comprometer
a estrutura do prédio. Eu disse pra mim - ISSO DEVE SER LINDO !
- Você costuma se lembrar dos seus sonhos?
Eu lembro e interajo - mando "to
the left", "to the right"... "pants down" é mó curtição... tem
aquela máxima de qdo morremos no sonho acordamos né? not for
me... eu continuo lá... consciente de que morri num sonho e
ainda after... é bem legal. Dizem várias coisas sobre voar
sonhando... tenho isso sempre com controle remoto na mão e tecla
sap. Uma pena que eu durma tão pouco, sonhar é o mais divertido.
- Você acredita em vida após a morte?
Acreditar ou não faz muito pouco por si mesmo, o
ideal é conviver com o silêncio, com a ignorancia de não saber.
Isso dá um valor totalmente diferente as coisas e iguala todas
as pessoas. |
Sua opinião sobre: Espiritismo -
Tem muita gente esquizofrênica no Espiritismo e
muito estudioso ralé, para mim onde há mito não há verdade.
Estudei e estudo muito sobre religiões, ocultismo... de um modo
geral o que vejo são pessoas EsoHIStéricas. Conheço Daime,
Umbanda, Satanismo, li o Alcorão, algumas vezes a Biblia,
estudei muito sobre Budismo e Hinduismo, já freqüentei Centro
Espírita de linhagem Egípcia, enfim... é um assunto que já vivi
um pouco e penso que o ideal é o caminho individual condicionado
a alguma disciplina. Muito se fala do Bispo Macedo e a Igreja
Universal, eu não me atenho a questão de explorar $$$ ou não a
fé - já [vi] pessoas sairem da merda. Então hoje cheguei ao meu
resumo pessoal e gostaria de pensar que é melhor todo mundo fora
da merda, com menos idiotice, com mais felicidade (e menos
euforia) - as pessoas confundem pragmatismo com inércia e falta
de criatividade intelectual.
Noite carioca -
A minha noite é
ótima, sou absurdamente seletivo, passo até 3 meses sem sair
desde que montei um computador com 3 monitores e uma TV de 29´,
tenho uma namorada e tendo uma coca-cola não preciso de mais
nada. Vou ali compro guloseimas e volto, my odd way of life.
Miss Kittin -
Acho ela
fofinha, nem sei direito que andam dizendo dela por ai, pra mim
ela é a fofinha - estou mais para Nelson Rodrigues que Nelson
Rubens.
Marcelo Crivella -
O cara tem
carisma e o povo adora imbecis, as mãos desses não tem sangue
com o PT do Celso Daniel, mas tem um cheiro de lavagem de
dólares do tráfico de drogas. Me interesso pouco pelo que ele
faz na vida privada, se ele ajuda as pessoas eu acho ótimo,
sinceramente, me aborrece mais a turminha do PT e o filho da
puta salafrário do Garotinho. O Crivella parece ter o perfil de
rouba-mas-faz.
CPM22 -
Não é o tipo de música
que eu gosto, mas o cenário que eu vejo é o seguinte: Não
agüento mais a turminha da AFETAÇÃO, até onde eu sei eles são
sossegados e isso para mim é bacana, cansei de ver amigos se
corromperem com o sucessinho e com o sucesso. CPM22 não é arte,
o que eu faço e apresento ao público também não. O público de
hoje é tão condicionado, anda tão arrebanhado a perfis que não
há espaço para experiências mais ousadas... eu guardo o que
considero arte para mim. Acho legítimo querer trabalhar música e
buscar rendimentos e até way of life, após 20 anos de música e
composição eu sei o
lack of glam
que existe nisso.
Ecstasy -
Ecstasy Mother Fucker?
Ainda acho que Tony Montana na guitarra, Neon Leon no baixo e Timothy
Leary na bateria é algo bem mais divertido.
Orkut -
Ainda me surpreendo com pessoas
from the crypt que me encontram
Carnaval -
4 dias em casa vendo bundas,
comendo igual a um porco e fudendo igual a um coelho!
-
Você acredita em OVNI's?
Engraçado isso,
me veio a idéia: Você acredita em PUM? Porque a menos que sejam
aqueles debaixo da água - ninguém jamais viu um pum - então eu
sinceramente acho que a opinião das pessoas valem muito pouco,
certamente quem já viu (ou sentiu o cheiro de um pum) acredita
em um. Nunca vi, mas acho isso irrelevante - eu acredito que há
quem acredite do mesmo jeito que acredito que o presidente Lula
mente e que no Pinel tá cheio de doido.
- Qual a banda mais fodona do planeta?
As melhores bandas do planeta são
aquelas que continuam trabalhando e sabem bem o que quer dizer DON´T BELIEVE THE HYPE (frase eternizada pelo Public Enemy) .
Pessoas que pensam em ampliar limites, encorajar o novo
mantendo uma coerência .
-
Robin era casinho do Batman?
Em briga de
marido e mulher eu não meto a colher. |
Para dançar: Pista para
nervosos
Nervoso: em versões eletrônicas no palco do
00
Gustavo Leitão
Nervoso é figurinha fácil do
universo indie carioca. Ex-integrante das bandas Autoramas, Acabou La
Tequila e Matanza, entre outras, nesta segunda ele mostra sua faceta de
pista. O multiinstrumentista sobe ao palco do 00 para lançar
Remixes memoráveis, coletânea de versões eletrônicas para
as faixas de seu CD de estréia solo, Lembranças das minhas
saudades. O novo álbum, encartado na revista Outracoisa,
reúne faixas de projetos conhecidos da cena carioca, como o John
Merrick Experience e o Gerador Zero, além do incensado rapper De
Leve e do Artificial, dos produtores Kassin e Berna Ceppas. ''A minha
parceria com o Nervoso começou há uns três anos. Depois montamos um
estúdio juntos, onde produzimos trilhas para TV e até cinema. Em maio do
ano passado, ele me propôs um remix. Foi quando convidei outros artistas
para participar'', diz Jenner, do John Merrick, que fará uma de suas
raras aparições como DJ na festa, com uma mistura eclética de música
brasileira, rock e eletrônico. Para abrir a noite, Nervoso se
apresenta ao lado do Gerador Zero, uma das (boas) surpresas do Tim
Festival de 2003. Tocam ainda De Leve, Flu e Superágua, projeto de house
da dupla carioca Jonas Rocha e Ulisses Capeletti. Será exibido em
primeira mão o clipe de O percurso, música presente no primeiro
disco de Nervoso.
Av. Padre Leonel Franca, 240, Gávea
(2540-8041). 2ª, às 21h. R$ 10. Capacidade: 300 pessoas.

22/01/2006 - 23h09m
Nervoso lança disco de remixes no Rio
 Carlos Albuquerque - O Globo
RIO - Cantor, guitarrista e
baterista, Nervoso lança um disco de remixes do seu primeiro trabalho, o
independente "Lembranças de minhas saudades". O disco vem encartado
dentro da revista "Outracoisa", editada por Lobão, e tem o nome "Lembranças
de minhas saudades - remixes memoráveis".
O lançamento vai ser nesta
segunda-feira, no 00, com shows do Gerador Zero e do próprio Nervoso,
além de participações de De Leve, John Merrick Experience,
Superágua e Flu, que assinam remixes no disco. Nervoso foi integrante
das bandas "Acabou La Tequila", "Matanza" e "Autoramas".

Lembrança das Minhas
Saudades - Remixes Memoráveis nasceu despretensiosamente, de
intervenções de amigos em seu primeiro álbum solo, o elogiado Saudade
das minhas Lembranças (midsummer madness), lançado em 2004, quando
Nervoso resolveu sair de seu confortável lugar atrás das baquetas e
partir para o trabalho solo como autor/ cantor/ guitarrista de canções
autorais, que até então ficavam guardadas na gaveta. De intervenção em
intervenção, eis um CD com 14 músicas, em que Kassin, Edu K, Flu, De
Leve, Digital Dubs, John Merrick Experience, entre outros
convidados, desconstroem as guitarras iêiêiê influenciadas pela jovem
guarda do original, agora carregando no beats eletrônicos.
Nervoso lança novo
álbum com festa hoje no Rio de Janeiro
Nesta segunda-feira
(23.01.06), a partir das 21h, acontece no Rio de Janeiro a festa de
lançamento do novo CD do Nervoso, "Lembrança das Minhas Saudades -
Remixes Memoráveis".
O álbum vem encartado na
revista Outracoisa e traz remixes de músicas do disco "Lembrança
das Minhas Saudades", lançado em 2004, feitos por gente como
Kassin, Edu K, Flu e De Leve.
Nervoso, Gerador Zero e o
VJ Sandro Menezes fazem live P.A., entre as discotecagens de Kassin,
De Leve, John Merrick Experience, Flu e Superágua. Também será
exibido o clipe de O Percurso.
A festa acontece no 00
(Avenida Padre Leonel Franca, 240, Gávea), a partir das 21h. Mais
informações pelo telefone (21) 2540 8041.
Revista Outracoisa http://www.revistaoutracoisa.com.br 16
de Janeiro de 2006.
A história de um
roqueiro que começou – ainda criança – batendo em latas e terminou... Ei,
Nervoso ainda não terminou. Ele está a pleno vapor. Nervoso não pára
Daddy Yankee deitado numa rede embaixo de um coqueiro na Bahia. A
mistura de Afrika Bambaataa, New Order e Jackson do Pandeiro com
segredos inomináveis. O encontro de Elvis Presley com Lee Perry. De um
lado, exagera absurdamente no delay; do outro, transforma os timbres. E
até aqueles restos de takes são reaproveitados e costurados. Pronto,
você tem nas mãos “Lembrança das minhas saudades – Remixes memoráveis”,
disco que traz novas versões para as músicas do álbum de estréia de
Nervoso. São 16 faixas assinadas por diferentes produtores e músicos,
todas elas costuradas pelo universo musical e lírico deste carioca de 33
anos. Destas, duas são inéditas. Inéditas e já remixadas, uma tradução
da inquietação que move o artista em questão. “Remix, para mim, é uma
desconstrução. Às vezes, tem uma guitarrinha que aparece num momento da
música super obscuramente e você a transforma no elemento principal”,
define o músico que – embora esteja há muito tempo “na pista” – pode ser
considerado um das boas novidades da cena. A idéia do CD de remixes
ocupa a cabeça de Nervoso há um ano. “Primeiro, vieram as pessoas
mais próximas, como o Jenner (John Merrick
Experience), que me apresentou muita coisa de música eletrônica; o
Kassin e o Flu”, conta ele. Depois, o projeto foi se ampliando e
surgiram as outras parcerias, como a dos pernambucanos do Diversitrônica
e do rapper niteroiense De Leve. (No faixa-a-faixa, eles contam como foi
a experiência e os bastidores). “Fez-se a luz, uma luz branca veio do
céu e ouviu-se um coro angelical”, brinca Fábio Zero, do Gerador Zero,
ao descrever seu processo criativo. Edu K revela o irrevelável: “O
mongol do Nervoso perdeu o CD com o remix!
Ahahahaha!!!!” Muita calma nessa hora: o remix foi devidamente
encontrado e prensado. A incursão de Nervoso pelo mundo da música
aconteceu muito antes do disco “Saudade das minhas lembranças”. Foi pelo
menos há duas décadas, quando começou a tocar bateria em latas de
sorvete de creme, aos 11 anos, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de
Janeiro. “Catava as latas nos terrenos baldios do loteamento em que
morava e levava para o quarto. Junto com meus amigos metaleiros,
fazíamos apresentações. A gente montava uma bateria enorme igual a do
Neil Peart, do Rush, com uns 20 tons. Usávamos os abajures de pratos e
canetas como baquetas. Quando o espetáculo ficava pronto, a gente
chamava papai e mamãe para assistir em primeira mão ao show ‘A besta
maldita’”, relembra. O universo musical tinha sido apresentado pelo
irmão mais velho do guitarrista Dudu Caribé, que na época também era um
pirralho e seu amigo inseparável. “O cara era discotecário e skatista.
Tínhamos 11 anos e ele, 19. Na sua casa, havia uma mesa de oito canais,
vinis espalhados por todos os cantos. Ele fazia o som de todas as festas
do bairro.” Aos poucos, foi aplicando os moleques. “Essa época era de
rock clássico: Led Zepellin, Rush, Iron Maiden. O Dudu já estudava
violão e foi me ensinando. Os acordes básicos de violão e teclado,
aprendi com 12, 13 anos.” A mãe até tentou colocá-lo numa aula de
música. Esforço em vão. “Eu ia com a camisa do Led Zepellin para ver se
o professor comentava alguma coisa, mas ele só queria dar a parte
acadêmica, ensinar a ler partitura; falava que era para deixar as unhas
crescerem. Não gostava disso. Às vezes, penso onde estaria se tivesse
tomado gosto pelo acadêmico. As pessoas dizem que isso limita a
criatividade”, divaga. “Quer dizer, isso é desculpa de vagabundo!”,
conclui ele mesmo, aos
risos. Leia esta matéria na íntegra na Outracoisa 14

ROCK PRESS
http /www.rockpress.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=134 10 de Janeiro de 2006
Outracoisa traz
faixas remixadas de Nervoso Chega às
bancas de todo o país esse mês o novo número da revista outracoisa.
Dessa vez, vem com o disco “Lembranças das Minhas Saudades”, primeiro CD
de Nervoso, remixado faixa a faixa por bandas e DJs como Gerador Zero,
EduK, Kassin, Diversitrônica, John Merrick Experience, Digital
Dubs, Flu, entre outros. O CD ainda traz 2 músicas novas como bônus.
O GLOBO - Rio, 19 de dezembro de
2005
Anos 80 para
adultos

Será lançado hoje, a partir das
19h30m, no Casarão Cultural (Avenida Mem de Sá 23), o livro “1985
— O ano em que o Brasil recomeçou”, dos jornalistas Edmundo
Barreiros e Pedro Só, com show do John Merrick
Experience.
Tramavirtual (02.06.05)
Diversões eletrônicas Por Fernanda Cardoso
"As selvagens meninas do Voz
del Fuego e seu figurino impecável, os
preguiçosos-panças do John Merrick Experience, os
trabalhadores e românticos obstinados dos Ouvintes e o nosso tecnólogo
Professor Pardal Fzero, do Gerador Zero". Assim Jenner,do JME
define o Efeito Coletivo. As quatro bandas se reuniram com o intuito de
movimentar a cena de música eletrônica no Rio de Janeiro e já estão
chamando a atenção de bastante gente. Além disso, os caras ainda
produzem programas de webradio e estão preparando alguns remixes para o
CD do Nervoso. Confira a entrevista
feita com Jenner, integrante do John Merrick Experience.
O que
é e como surgiu o Efeito Coletivo?
O Efeito Coletivo surgiu
em Setembro de 2004, mas na verdade sempre foi um sonho, que começou em
1988, quando deixei minha banda de punk rock e mergulhei no mundo das
gravações caseiras, drum-machines, sequencers, synths e os indecifráveis
computadores Amiga 500. Em realidade, o John Merrick Experience (duo que
faço parte) tinha o conceito de ser uma banda aberta (sem formação) que
aglutinasse todos os amigos. Um tanto quanto utópico e hoje até
inimaginável, lembrar que os Planet Hemp Marcelo D2 e Formigão faziam
parte do núcleo central. O Efeito Coletivo é talvez uma evolução desse
conceito – juntamos quatro trabalhos de música eletrônica (John Merrick
Experience, Ouvintes, Gerador Zero e Voz Del Fuego) por entender que as
afinidades precisam vencer as distâncias – a troca de informação é
fundamental num cenário quase inexistente de música eletrônica no Rio de
Janeiro -um pouco fartos, é verdade, da glamourização da cena DJ. E
assim, tomamos contato e estreitamos papos com outros artistas da
produção caseira, como Peixe Kru (Rio), Ladrão (Juiz de Fora),
Diversitrônica (Recife), Colortronic (Rio), FLU (POA/Rio), Edu K (POA) e
Pato de Borracha (Lisboa), entre muitos outros.
Fale um pouco das bandas que fazem
parte do Efeito Coletivo.
Somos quatro
trabalhos bem distintos, mas a cada dia cresce mais a admiração dentro
do grupo. Não raro as críticas são duras e até poderia dizer que há uma
competição saudável que excita nossa criatividade, cada qual com suas
esquisitices. Muitas esquisitices... Recentemente, defini o Efeito
Coletivo assim: “As selvagens meninas do Voz del Fuego e seu figurino
impecável, os preguiçosos-panças do John Merrick Experience, os
trabalhadores e românticos obstinados dos Ouvintes e o nosso tecnólogo
Professor Pardal Fzero, do Gerador Zero". E, no momento, é a forma mais
objetiva que consigo descrever cada um de nós.
São várias
pessoas diferentes vindo de projetos diferentes. Quem faz o que?
O grande tesouro do Efeito Coletivo é a bagagem técnica de seus membros.
Nenhuma pergunta técnica fica sem solução. Vez ou outra o pessoal de
outras bandas também envia perguntas e tira dúvidas. Temos um e-mail que
funciona como uma circular ou memorando. Dava um livro. O mundo de
coisas pertinentes e impertinentes que passam por lá é, na verdade, um
excelente raio-X do que somos. Assim, todos fazemos tudo. Nesse baralho
só tem coringa.
Qual a intenção de vocês ao montar o coletivo?
Nossa intenção principal é dar força a uma cena que não existe aqui no
Rio, trocar informações, participar nos trabalhos dos outros (em
gravações, remixes, composições). Juntamos também para dar maior
visibilidade e reduzir custos de produção, já que nossos equipamentos
somados nos tornam plenamente independentes (com folga). É escolher o
espaço, resolver a questão financeira e nos plugamos o Efeito Coletivo.
O Efeito Coletivo já foi também um programa de rádio. Fale um pouco
sobre isso?
Fui convidado pelo Nervoso a criar um programa de
uma hora dentro do América Perdida, programa que ele apresentava na
Rádio Viva Rio AM. Assim, estendi o convite aos colegas do Efeito
Coletivo. O resultado são 14 programas, até o fim da Radio Viva Rio.
Esses programas estão disponíveis online na página
www.efeitocoletivo.com. Eles foram produzidos em casa, onde mostramos a
cara da produção caseira nacional e a TramaVirtual foi uma ferramenta
fundamental, pois de lá eram garimpadas a maioria das músicas executadas
nos programas. E, por ser gravado, tínhamos sempre a chance de enviar um
e-mail para os artistas falando da sua inclusa ona programação e assim
(por efeito multiplicador) criamos uma boa rede de contato. Com o fim da
RádioViva Rio AM, resolvemos que cada projeto do coletivo faria um
programa de Webradio e assim nasceu o Misturinha (John Merrick
Experience), Bit Bang! (Gerador Zero), Hay Banda! (Voz Del Fuego) e
Gengibre S/A (Ouvintes). Os programas têm diferentes perfis e estão
todos disponíveis para download, streaming e podcast no site do Efeito
Coletivo. À frente do Misturinha, que está na 16ª edição, minha idéia é
deixar os convidados livres em suas escolhas e eu tento seguir a vibe.
Recebemos um convite para uma rádio FM aqui no Rio o qual estamos
negociando.
Como são os shows e onde vocês costumam se
apresentar?
Nossos shows têm muito de improviso, é sempre uma
grande gargalhada escalar a ordem de apresentação dos trabalhos, todos
querem sempre reverenciar o outro e assim, a luta é sempre por quem vai
abrir o show, seguindo a linha subliminar anti-narcísica. Tocamos juntos
em três oportunidades apenas: Superdemo Digital e mais duas vezes no
sebo descolado da Lapa Plano B. No próximo dia 23 de junho estaremos no
Espaço Cultural Constituição (Rua da Constituição, 34 – Centro - Rio de
Janeiro/RJ). O que é interessante frisar é que nunca repetimos o set.
Quais as vantagens de se associar a outras bandas?
As vantagens são muitas e é até difícil enumerá-las, já que delas têm
surgido grandes e verdadeiras amizades. Penso que estamos num período
muito complicado da indústria musical e todo e qualquer diálogo acerca
desse assunto se faz necessário. Há uns anos, os artistas sonhavam em
gravar discos e publicá-los. Com a disseminação dos MP3s e pirataria,
essa não me parece ser a grande questão de quem não está nessa sem ser
por vaidade. Esse é um papo muito longo e pouco conclusivo, mas tem sido
uma boa questão a ser tratada, assim como a necessidade de se impor
níveis de profissionalismo, já que é uma prática tão comum no Brasil
tocar de graça ou por duas ou três cervejas. Fiz até um manifesto numa
circular interna contra "esmolar palco".
Quais as outras
atividades vocês promovem?
No momento estamos produzindo
remixes para o disco do Nervoso (Saudades de Minhas Lembranças),
que tem vários outros artistas convidados, emprestamos o nome para a
festa da Elza Cohen no Hotel Cambridge, produzimos nossos
programas de Web-rádio e alguns shows. Infelizmente, a situação é a
seguinte: Peter trabalha na Editora da EMI, Maurice e Fábio Zero
trabalham numa empresa que desenvolve Ringtones e, até o fechamento
dessa, todos os outros estão desempregados correndo atrás.
próxima página >>>>
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